História de Portugal

Ilustração de uma caravela portuguesa com cruz de cristo navegando entre o Castelo de Almourol e a Torre de Belém.

A história de Portugal é o registro cronológico da formação, ascensão e evolução da nação lusitana, desde as tribos pré-romanas até a integração europeia moderna. Definida pela resiliência e inovação marítima, essa trajetória moldou fronteiras globais e estabeleceu as bases da geopolítica ocidental e da identidade cultural lusófona atual.

Eu, Carlos N. Bento, conhecido como Carlos Jobs, idealizador do Portal Turístico de Portugal vou detalhar neste artigo a trajetória completa do país. Com base em minha expertise e visão estratégica sobre o território lusitano, apresentarei uma análise profunda que conecta o passado glorioso aos desafios e conquistas da contemporaneidade.

Informações sobre a História de Portugal

Período HistóricoEvento ou Marco Principal
Século XII (1139)Fundação do Reino de Portugal por D. Afonso Henriques após a Batalha de Ourique.
Século XIII (1249)Conquista definitiva do Algarve, estabelecendo as fronteiras terrestres atuais.
Século XIV (1385)Batalha de Aljubarrota, que garantiu a independência contra Castela e iniciou a Dinastia de Avis.
Século XV (1415)Conquista de Ceuta, marcando o início da expansão marítima e dos Descobrimentos.
Século XV (1498)Descoberta do caminho marítimo para a Índia por Vasco da Gama.
Século XVI (1500)Chegada oficial de Pedro Álvares Cabral ao Brasil.
1580 – 1640União Ibérica: Portugal e Espanha sob o domínio dos reis Filipes.
Século XVIII (1755)Grande Terramoto de Lisboa e a subsequente reconstrução pombalina da capital.
Século XIX (1822)Declaração de Independência do Brasil e fim do antigo regime absolutista.
Século XX (1910)Implantação da República Portuguesa e o fim da monarquia constitucional.
Século XX (1933 – 1974)Período do Estado Novo, a ditadura liderada por António de Oliveira Salazar.
Século XX (1974)Revolução dos Cravos no dia 25 de abril, restaurando a democracia em Portugal.
Século XX (1986)Adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia (atual União Europeia)

As Origens de Portugal e a Formação da Identidade Lusitana

Compreender a gênese da nação exige um olhar atento sobre os povos ancestrais que habitaram o extremo ocidente da Península Ibérica. Estas raízes profundas forneceram os elementos culturais básicos que definiram o futuro povo português.

Os Povos Pré-Romanos e a Resistência de Viriato

Antes da unificação sob uma coroa, a região era um mosaico de tribos celtas e ibéricas. Os lusitanos destacaram-se como o grupo mais proeminente, ocupando as terras entre os rios Douro e Tejo. A figura de Viriato simboliza a primeira grande manifestação de independência e bravura no território. Ele utilizou táticas de guerrilha sofisticadas para derrotar legiões romanas durante anos, tornando-se um herói mítico que personifica a resistência nativa contra o domínio estrangeiro.

O Legado da Romanização na Lusitânia

A conquista romana, embora violenta, integrou a região em uma rede civilizatória sem precedentes. A fundação da província da Lusitânia trouxe mudanças estruturais que perduram até hoje na identidade nacional. Os principais pilares desse legado incluem:

  • A adoção do latim vulgar, que evoluiu para a língua portuguesa moderna.
  • O desenvolvimento do Direito Romano como base de organização social e jurídica.
  • A construção de uma rede de estradas e pontes que conectou o território.
  • A introdução de técnicas avançadas de cultivo de vinha e oliveira.
  • O estabelecimento de cidades estratégicas como Olisipo (Lisboa) e Bracara Augusta (Braga).

As Invasões Germânicas e o Reino dos Suevos

Com o enfraquecimento do Império Romano, povos germânicos cruzaram os Pireneus em busca de novas terras. Os suevos estabeleceram-se no noroeste da península, criando o primeiro reino cristão medieval na região. Posteriormente, os visigodos unificaram a península sob uma monarquia eletiva, mas deixaram marcas profundas na organização nobiliárquica e na estrutura eclesiástica. Esse período foi marcado por uma transição complexa onde os costumes romanos se fundiram com as tradições guerreiras germânicas, preparando o terreno para a futura nobreza portucalense.

A Reconquista Cristã e o Nascimento do Reino

O processo de expulsão das forças muçulmanas, que invadiram a península em 711, foi o catalisador para a criação de Portugal. A luta religiosa e militar forjou um espírito de unidade entre as lideranças cristãs.

O Condado Portucalense e a Luta por Autonomia

O Condado Portucalense nasceu como uma recompensa feudal concedida a D. Henrique de Borgonha por seu auxílio na guerra contra os mouros. Inicialmente vassalo do Reino de Leão, o condado começou a desenvolver uma identidade política própria. A localização estratégica entre o Rio Minho e o Rio Mondego permitiu que a nobreza local acumulasse poder e recursos. Após a morte de D. Henrique, sua esposa D. Teresa e seu filho D. Afonso Henriques iniciaram uma disputa que culminaria na separação definitiva da tutela leonesa.

D. Afonso Henriques e a Independência de 1143

A fundação oficial de Portugal é inseparável da figura de seu primeiro rei. Através de vitórias militares e manobras diplomáticas, ele garantiu a sobrevivência do novo Estado. Os marcos fundamentais desse processo histórico foram:

  1. A Batalha de São Mamede em 1128, onde Afonso Henriques derrotou as forças de sua própria mãe para assumir o governo.
  2. A Batalha de Ourique em 1139, que lhe conferiu a aclamação como Rei de Portugal pelas suas tropas.
  3. A assinatura do Tratado de Zamora em 1143, onde o Reino de Leão reconheceu formalmente a soberania portuguesa.
  4. A conquista de Lisboa em 1147, consolidando o controle sobre o centro do território com apoio de cruzados europeus.
  5. O reconhecimento papal através da Bula Manifestis Probatum em 1179, conferindo legitimidade divina e internacional à coroa.

A Expansão Territorial e a Conquista Definitiva do Algarve

Após garantir a independência no norte, os monarcas portugueses voltaram suas atenções para o sul. A reconquista avançou através de ordens militares e cercos estratégicos a cidades fortificadas. D. Afonso III foi o responsável por encerrar o capítulo da ocupação muçulmana em solo português ao conquistar Faro e Silves em 1249. Com isso, Portugal estabeleceu suas fronteiras terrestres, tornando-se um dos estados nação mais antigos da Europa com limites geográficos praticamente inalterados desde o século XIII.

A Consolidação da Dinastia de Avis e a Crise de Sucessão

A morte do último rei da dinastia de Borgonha sem herdeiros diretos mergulhou o país em uma crise profunda. A sobrevivência da independência nacional foi testada contra as ambições de castela em um momento decisivo.

A Revolução de 1383-1385 e a Batalha de Aljubarrota

A crise sucessória colocou em lados opostos a alta nobreza, favorável à união com Castela, e a burguesia de Lisboa e Porto, que apoiava o Mestre de Avis. A Batalha de Aljubarrota em 1385 foi o ponto culminante desse conflito. Sob o comando estratégico de Nuno Álvares Pereira, o exército português, em menor número, derrotou as forças castelhanas. Essa vitória garantiu a ascensão de D. João I ao trono, inaugurando a Dinastia de Avis e reforçando o apoio das classes mercantis à coroa.

A Aliança Luso-Britânica e o Tratado de Windsor

Para fortalecer a posição portuguesa frente às ameaças ibéricas, D. João I buscou apoio internacional sólido. O Tratado de Windsor, assinado em 1386, formalizou a aliança mais antiga do mundo ainda em vigor. Este acordo não era apenas militar, mas também comercial e político. Os benefícios desta parceria histórica incluíram:

  • O casamento de D. João I com D. Filipa de Lencastre, unindo as casas reais de Portugal e Inglaterra.
  • O suporte naval britânico em conflitos contra potências rivais no Atlântico.
  • O privilégio de comércio para mercadores portugueses em portos ingleses.
  • A estabilização das fronteiras marítimas através de suporte diplomático mútuo.

A Centralização do Poder Real e a Nova Ordem Social

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A Dinastia de Avis promoveu uma reforma administrativa que retirou privilégios da antiga nobreza feudal. A coroa passou a investir em burocracia eficiente e em quadros técnicos oriundos das universidades. Esse fortalecimento estatal foi essencial para que o país pudesse organizar grandes expedições. Com o poder centralizado, o rei tornou-se o principal investidor nas atividades comerciais e científicas, criando as condições necessárias para que Portugal se tornasse a primeira potência global da era moderna.

A Era dos Descobrimentos e o Pioneirismo Marítimo

O século XV marcou o início de uma epopeia que alterou para sempre a percepção do mundo. Portugal utilizou seu conhecimento geográfico e técnico para desbravar oceanos antes considerados intransponíveis e perigosos.

A Escola de Sagres e as Inovações na Ciência Náutica

O Infante D. Henrique, conhecido como O Navegador, estabeleceu um centro de estudos em Sagres que atraiu os maiores especialistas da época. Ali, a fusão de conhecimentos árabes, judaicos e europeus resultou em avanços tecnológicos sem precedentes. O desenvolvimento da caravela, uma embarcação ágil capaz de navegar contra o vento, foi o grande trunfo português. O uso sistemático do astrolábio e da bússola permitiu a navegação astronômica, libertando os marinheiros da dependência da visão da costa e possibilitando viagens de longo curso em mar alto.

O Caminho Marítimo para a Índia e o Comércio de Especiarias

A busca por uma rota direta para o Oriente visava quebrar o monopólio das cidades italianas e dos mercadores árabes. Vasco da Gama completou essa missão em 1498, chegando a Calecute após contornar o continente africano. Essa descoberta abriu as portas para um comércio lucrativo de pimenta, canela e cravo. Os principais efeitos desse marco foram:

  1. A transferência do eixo econômico europeu do Mediterrâneo para o Atlântico.
  2. O estabelecimento de feitorias estratégicas em Goa, Malaca e Ormuz.
  3. O enriquecimento massivo da coroa portuguesa através da Casa da Índia.
  4. A criação de um império marítimo baseado no controle de pontos de passagem obrigatórios.

A Chegada ao Brasil e a Construção do Império Transatlântico

Em 1500, a frota comandada por Pedro Álvares Cabral desviou-se de sua rota original para a Índia e oficializou a descoberta das terras brasileiras. O que inicialmente parecia um território de exploração de pau-brasil transformou-se no maior ativo econômico de Portugal. A introdução da cultura da cana-de-açúcar e, posteriormente, a descoberta de metais preciosos criaram um fluxo contínuo de riqueza para a metrópole. O Brasil tornou-se o centro gravitacional do império, exigindo uma logística complexa de transporte e defesa contra piratas e potências rivais.

O Domínio Filipino e a Perda da Soberania Nacional

O desaparecimento precoce de D. Sebastião na Batalha de Alcácer-Quibir em 1578 gerou um vazio sucessório catastrófico. Sem herdeiros diretos, a coroa portuguesa foi reivindicada por Filipe II de Espanha.

A União Ibérica e a Perda da Soberania Nacional

Filipe II de Espanha, alegando laços de parentesco e utilizando pressão militar, foi aclamado rei de Portugal nas Cortes de Tomar em 1581. Por sessenta anos, os dois reinos compartilharam o mesmo monarca. Embora o rei tivesse prometido respeitar as leis e cargos portugueses, a autonomia nacional foi gradualmente erodida. Lisboa deixou de ser uma capital independente para se tornar uma província periférica de um vasto império gerido a partir de Madrid. O sentimento de descontentamento cresceu entre a nobreza e o povo, alimentando o mito do Sebastianismo.

Impactos Econômicos e Militares no Império Ultramarino

Estar sob a coroa espanhola envolveu Portugal em guerras que não eram suas, especialmente contra os ingleses e holandeses. Essas nações, inimigas de Espanha, passaram a atacar sistematicamente as colônias portuguesas. Os prejuízos foram severos:

  • A ocupação holandesa de partes do nordeste brasileiro para controle do açúcar.
  • A perda de importantes entrepostos comerciais nas Molucas e no Ceilão.
  • A interrupção das rotas de comércio com o Extremo Oriente devido a bloqueios navais.
  • O aumento exorbitante de impostos para financiar as campanhas militares espanholas na Europa central.

A Guerra da Restauração de 1640 e a Ascensão de Bragança

Cansados da negligência espanhola e da carga fiscal abusiva, um grupo de nobres conspiradores organizou um golpe em 1 de dezembro de 1640. O Duque de Bragança foi aclamado como D. João IV, iniciando uma nova dinastia. Seguiu-se uma guerra de vinte e oito anos contra as forças espanholas para garantir o reconhecimento da independência. Portugal teve que reorganizar seu exército e buscar novas alianças internacionais para sobreviver. A vitória final consolidou a Dinastia de Bragança no trono e restaurou a identidade política do país, embora o império estivesse fragilizado.

O Século das Luzes e os Desafios da Modernidade

O século XVIII foi um período de contrastes absolutos entre a riqueza extrema proveniente do Brasil e as tragédias naturais que quase aniquilaram a capital. Foi uma era de reformas profundas na estrutura do Estado.

O Ciclo do Ouro Brasileiro e o Barroco Joanino

A descoberta de jazidas de ouro em Minas Gerais no final do século XVII transformou a economia portuguesa sob o reinado de D. João V. A metrópole foi inundada por toneladas de metal precioso, permitindo uma ostentação sem precedentes na arquitetura e nas artes. O Convento de Mafra e a Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra são os maiores símbolos desse período. No entanto, essa riqueza fácil também desestimulou a industrialização interna, tornando o país dependente das importações e da manutenção do fluxo extrativista colonial.

O Terremoto de 1755 e a Reconstrução Pombalina de Lisboa

No dia 1 de novembro de 1755, um sismo devastador, seguido de um tsunami e incêndios, destruiu grande parte de Lisboa. A tragédia foi o catalisador para a ascensão política do Marquês de Pombal. Como ministro de D. José I, ele liderou uma reconstrução racional e moderna da cidade. Os principais marcos desta reconstrução foram:

  1. O plano ortogonal da Baixa Pombalina, com ruas largas e padronizadas.
  2. A implementação da gaiola pombalina, uma estrutura de madeira antissísmica inovadora.
  3. A criação da Praça do Comércio como o novo centro político e financeiro.
  4. A centralização absoluta da administração pública sob a supervisão direta do ministro.

As Reformas Iluministas e a Expulsão dos Jesuítas

Pombal implementou uma série de reformas inspiradas no Iluminismo europeu, visando modernizar Portugal e reduzir o poder da Igreja e da alta aristocracia. Ele fundou a Real Fábrica das Sedas e reorganizou o ensino superior através da Reforma da Universidade de Coimbra. A medida mais drástica foi a expulsão dos jesuítas em 1759, confiscando seus bens e encerrando sua influência na educação e na política colonial. Estas ações fortaleceram o poder central do monarca, mas geraram inúmeros inimigos internos que aguardavam a queda do ministro.

A Crise da Monarquia e a Transição para o Liberalismo

O início do século XIX trouxe instabilidade externa e interna. A pressão das guerras napoleônicas forçou Portugal a tomar decisões drásticas que alterariam o curso de sua história e de suas colônias.

As Invasões Napoleônicas e a Fuga da Corte para o Brasil

A recusa de Portugal em aderir ao Bloqueio Continental contra a Inglaterra provocou a invasão pelas tropas de Napoleão Bonaparte. Em uma decisão estratégica sem paralelos na história, a família real e toda a estrutura administrativa do Estado transferiram-se para o Rio de Janeiro em 1808. Esta mudança transformou o Brasil na sede do império, elevando-o à categoria de Reino Unido com Portugal. Enquanto isso, o território europeu enfrentava o caos das ocupações francesas e a subsequente tutela militar britânica, gerando um profundo ressentimento na população.

A Revolução Liberal de 1820 e a Primeira Constituição

A ausência prolongada do rei e a crise econômica em solo português levaram à eclosão da Revolução Liberal no Porto. Os revolucionários exigiam o retorno de D. João VI e a submissão da monarquia a uma Constituição. Este movimento marcou o fim do absolutismo e o nascimento do constitucionalismo em Portugal. Pela primeira vez, o poder soberano não emanava apenas de Deus ou do monarca, mas da nação. A resistência das forças conservadoras a essas mudanças iniciou um período de instabilidade política prolongada entre liberais e absolutistas.

As Guerras Liberais entre D. Pedro e D. Miguel

A disputa ideológica entre o liberalismo e o absolutismo personificou-se no conflito entre dois irmãos. D. Pedro IV defendia o regime constitucional, enquanto seu irmão D. Miguel liderava as forças reacionárias que desejavam o retorno ao antigo regime. A guerra civil, conhecida como Lutas Liberais, durou de 1828 a 1834. Os eventos determinantes desse período foram:

  • O desembarque do exército liberal no Mindelo e o cerco do Porto.
  • A intervenção britânica em apoio à causa constitucional de D. Pedro.
  • A assinatura da Convenção de Évora-Monte, que selou a derrota de D. Miguel.
  • A consolidação definitiva da monarquia constitucional sob a Rainha D. Maria II.

O Declínio da Monarquia e a Implantação da República

O final do século XIX foi caracterizado por uma monarquia enfraquecida, incapaz de resolver as crises sociais e de manter o prestígio internacional frente às novas potências coloniais europeias.

O Ultimato Britânico de 1890 e o Desgaste da Coroa

Portugal pretendia unir seus territórios africanos de Angola e Moçambique através do projeto do Mapa Cor-de-Rosa. No entanto, essa ambição colidiu com o plano britânico de construir uma ferrovia de Cairo ao Cabo. Em 1890, o Reino Unido enviou um ultimato exigindo a retirada imediata das tropas portuguesas da região. A capitulação de D. Carlos I foi vista como uma humilhação nacional e uma prova da fraqueza da monarquia. Este evento deu um impulso decisivo ao Partido Republicano, que passou a capitalizar o descontentamento popular e militar.

A Revolução de 5 de Outubro de 1910

O assassinato do Rei D. Carlos e do príncipe herdeiro em 1908 acelerou o fim do regime. A 5 de outubro de 1910, uma revolta organizada por republicanos e apoiada pela Marinha eclodiu em Lisboa. Após breves combates, a República foi proclamada da varanda da Câmara Municipal. A família real partiu para o exílio, encerrando quase 800 anos de monarquia. O novo regime prometia a separação entre Igreja e Estado, a reforma do ensino e a modernização das instituições, mas enfrentou resistência imediata de setores tradicionais.

A Instabilidade Política e Social da Primeira República

A Primeira República foi marcada por uma alternância constante de governos e tentativas de golpes de Estado. A participação de Portugal na Primeira Guerra Mundial agravou a situação financeira e o descontentamento social. Entre 1910 e 1926, o país viveu em um estado de agitação permanente, com greves, atentados e crises ministeriais. A incapacidade dos partidos republicanos em estabelecer uma ordem estável abriu caminho para o crescimento de movimentos autoritários que prometiam restaurar a autoridade estatal e o equilíbrio econômico.

O Estado Novo e o Período do Autoritarismo

A fragilidade democrática culminou em um golpe militar que instalou a ditadura mais longa da Europa ocidental no século XX. Este período moldou profundamente a sociedade portuguesa contemporânea.

A Ascensão de Salazar e a Constituição de 1933

António de Oliveira Salazar, um professor de economia de Coimbra, foi chamado para sanear as finanças públicas e rapidamente acumulou poder político. Em 1933, a nova constituição estabeleceu o Estado Novo, um regime corporativista e autoritário. Salazar governou através do controle férreo das finanças e de um sistema repressivo eficiente. O regime baseava-se no lema de Deus, Pátria e Família, promovendo um nacionalismo conservador e o isolamento cultural do país em relação às democracias liberais europeias.

A Guerra Colonial Portuguesa e o Isolacionismo Internacional

Enquanto o mundo passava pelo processo de descolonização após a Segunda Guerra Mundial, o Estado Novo insistiu na manutenção do império sob o conceito de províncias ultramarinas. Em 1961, iniciou-se o conflito armado em várias frentes. Os impactos desta decisão foram devastadores:

  1. A mobilização de centenas de milhares de jovens para frentes de combate em Angola, Guiné e Moçambique.
  2. O isolamento diplomático de Portugal nas Nações Unidas e sanções internacionais.
  3. O esgotamento do orçamento nacional para sustentar o esforço de guerra.
  4. O aumento da emigração clandestina de jovens que fugiam do serviço militar obrigatório.
  5. O crescimento da oposição dentro das próprias forças armadas portuguesas.

A Resistência Antifascista e a PIDE

A oposição ao regime viveu na clandestinidade sob a ameaça constante da PIDE, a polícia política da ditadura. Prisões políticas, torturas e censura prévia à imprensa eram as ferramentas utilizadas para silenciar dissidentes. Grupos de intelectuais, estudantes e o Partido Comunista Português mantiveram redes de resistência. No final dos anos 60, com a substituição de Salazar por Marcelo Caetano, houve uma breve esperança de liberalização, mas a manutenção da guerra colonial tornou qualquer reforma política inviável para a sobrevivência do regime.

A Revolução dos Cravos e o Portugal Democrático

A transição para a democracia em 1974 foi um dos eventos mais singulares da história moderna. O país abandonou o império e abraçou a integração europeia como novo destino estratégico.

O Movimento das Forças Armadas e o 25 de Abril

O golpe que derrubou a ditadura foi organizado pelo Movimento das Forças Armadas (MFA), composto por oficiais de baixa e média patente descontentes com a guerra colonial. Na madrugada de 25 de abril de 1974, as tropas ocuparam pontos estratégicos em Lisboa. O apoio popular foi imediato e transformou o golpe militar em uma verdadeira revolução. O símbolo dos cravos nas espingardas dos soldados demonstrou ao mundo que aquela era uma mudança pacífica. Marcelo Caetano rendeu-se, encerrando décadas de autoritarismo sem resistência armada significativa.

O Processo de Descolonização e os Retornados

Com a queda do antigo regime, Portugal reconheceu o direito à autodeterminação das colônias. O processo de descolonização foi rápido e conturbado, resultando na independência de Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. Milhares de portugueses que viviam nesses territórios tiveram que retornar à metrópole, enfrentando dificuldades de integração em um país que passava por transformações econômicas e políticas radicais. A reintegração dessas pessoas foi um desafio social superado com resiliência pela democracia nascente.

A Adesão à CEE e a Integração na União Europeia

Para consolidar a democracia e modernizar a economia, Portugal solicitou a adesão à Comunidade Econômica Europeia. Em 1986, sob a liderança de Mário Soares, o país tornou-se membro pleno do projeto europeu. Esta decisão trouxe mudanças profundas:

  • O fluxo massivo de fundos estruturais para a construção de rodovias e infraestruturas básicas.
  • A modernização do sistema de saúde e das redes de ensino público.
  • A abertura dos mercados nacionais à concorrência internacional.
  • A adoção da moeda única, o Euro, facilitando transações e estabilidade econômica.

Conclusão

Conhecer a história de Portugal é fundamental para compreender a formação do mundo luso-brasileiro e as conexões que ainda hoje unem diversos continentes. Este percurso milenar revela uma nação que soube se reinventar constantemente perante desafios geopolíticos extremos.

Estudar esses eventos históricos permite valorizar a identidade portuguesa e entender as raízes de suas instituições democráticas atuais. O passado de navegações e resistências oferece lições valiosas sobre adaptação, inovação e a busca permanente pela soberania nacional.

O entendimento da trajetória portuguesa fortalece o sentimento de pertença e cidadania em um contexto globalizado. Ao preservar essa memória histórica, garantimos que as futuras gerações compreendam a importância de Portugal como ponte cultural e diplomática entre nações.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Quando foi fundado o Reino de Portugal?

O Reino de Portugal foi fundado oficialmente em 1143, através do Tratado de Zamora. D. Afonso Henriques, o primeiro rei, consolidou a independência nacional após vencer batalhas decisivas contra forças mouras e o Reino de Leão.

Os Descobrimentos permitiram a Portugal liderar a primeira globalização, estabelecendo rotas marítimas para a Índia e o Brasil. Esse pioneirismo transformou o comércio mundial, integrando continentes e gerando uma riqueza sem precedentes para a coroa lusa.

A União Ibérica ocorreu entre 1580 e 1640, quando Portugal e Espanha foram governados pelo mesmo monarca filipino. O período resultou em perdas territoriais ultramarinas e terminou com a Guerra da Restauração, liderada por Bragança.

O sismo destruiu a capital, mas permitiu ao Marquês de Pombal reconstruir Lisboa sob ideais iluministas. A Baixa Pombalina foi projetada com estruturas antissísmicas inovadoras e um traçado ortogonal moderno, que ainda define a cidade.

Ocorrendo em 25 de abril de 1974, a revolução derrubou a ditadura do Estado Novo de forma pacífica. O movimento restaurou as liberdades civis, encerrou a Guerra Colonial e abriu caminho para a integração europeia atual.

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